segunda-feira, julho 11, 2005

Vacas loucas




Os excelentes cartoons de Mr. Fish podem ser vistos aqui e aqui.


Infelizmente não vai acontecer. Se alguma coisa mudar na nossa relação com a natureza terá que vir das nossas mãos. E, pelo caminho por que vamos, não tenho muita esperança. Note-se que a única resposta positiva dada pelos G8 às solicitações do movimento Make Poverty History (para ir buscar uma coisa muito mediática) teve a ver com o fornecimento de medicamentos para a sida. Sou só eu a notar algum padrão aqui?

2 comentários:

Anónimo disse...

Boas!

Já nao dizia nada há algum tempo! Queria só deixar uma reflexão pessoal.

Curiosamente estive em Edinburgo no dia das manifestações violentas (puramente por acaso, a sério!), e vi o tipo de pessoas q lá estavam. Pessoas q sao capazes de gastar dinheiro para se deslocarem a edinburgo para se confrontarem com a policia, mas incapazes de irem para África lutar pela mma causa, ou dedicar-se a conquistar uma posição profissional onde possam fazer a diferença. O próprio Bob Geldof os criticou, e com mta razão!

Mas o senhor Geldof tb nao está isento. Embora tenha estado em África, e tenha sido um lutador activo, acabou por organizar um dos eventos mais hipócritas da história. Juntou uma série de personalidades q ganharam mais dinheiro na vida do q aquele q alguma vez conseguirão gastar, e q o melhor q conseguem fazer pela pobreza é dar um espectáculo de borla (isto partindo do principio q nao cobraram nada pela sua actuação!!!). Não existe grande moral aqui. Principalmente pq os problemas dos paises pobres sao bastante mais complexos do q uma simples divida externa. E a corrupção dos governos? E as grandes multinacionais q lucram mais com um país pobre e com marcadas diferenças sociais?

Finalmente, acho q devemos começar a pensar seriamente num pequeno pormenor. E isto é mmo um pensamento, pq eu próprio nao tenho bem a certeza do q pensar. Imagine-se o q era ter a população inteira da China (já nem falo de todos os outros paises com altos indices de pobreza!) com um poder de compra semelhante à classe média europeia? Qual seriam as necessidades energéticas? Quais seriam as necessidades em termos de produção de materiais como os plásticos e os microchips q necessitam de elevadas quantidades de petróleo? E os resíduos resultantes? Como seria tratados? Note-se q só para fazer o censos da população chinesa, foram precisos 10 milhões de censores!!!!! 10 milhões!!!!!!! Foi precisa a população portuguesa inteira!!! Imagine-se quais as consequências de toda a população chinesa querer de repente o seu carro, o seu computador, a sua maquina digital, o seu rato optico, e o seu iPod! Já temos um gostinho. A barragem das 3 Gargantas. Em suma, talvez nao seja sustentável perdoar as dividas externas das nações mais pobres. Ou talvez o q nao seja sustentavel, é um desenvolvimento "ocidental" generalizado ao resto do planeta. Já pensei mto nisto, e nao escrevi aqui nem metade das minhas questóes e "conclusões". Mas qt mais penso nisso, mais confuso fico!

José N. Azevedo disse...

Pois o meu desafio, anónimo, era que comecasse o seu blogue- é um excelente meio de começar a ordenar ideias, e de as apurar através do diálogo. Até lá, é muito bem vindo por aqui, pela mesma razão: porque me ajuda a pensar e a desenvolver as ideias.

Com o seu comentário toca de facto naquilo que é o essencial: não é possível estender a todas as pessoas do planeta o estilo de vida que temos hoje no ocidente. O planeta não aguenta, por um lado. Mas a razão essencial, parece-me a mim, é que o nosso estilo de vida é baseado na exploração de outros. As matérias primas e mão de obra baratas que nos sustentam deixam a grande maioria das pessoas do planeta na miséria.

E eu não sou daqueles que alinham na idéia de que o nível de vida se mede pelo dinheiro. Uma pessoa não é pobre, na minha definição, se tem os recursos de que necessita, mesmo que não tenha dinheiro. O meu conceito de pobreza tem mais a ver com a negação da autonomia das pessoas. Abrir as áreas de floresta virgem do Congo à exploração mineira e de madeira está a destruir uma civilização que depende da floresta para a sua sobrevivência. Essa gente não tem dinheiro, mas são autónomos e têm a sua própria identidade. Quando a floresta for destruída, aos que não forem abatidos restará arranjar empregos nas minas ou como lenhadores. Passarão a receber um salário, portanto. Ganha o país, cujo PIB aumentou. Melhoram as estatísticas da pobreza, porque essa gente não tinha dinheiro. Está tudo bem, não está? E viva a Economia!