segunda-feira, dezembro 11, 2006
Planeta azul
Está tudo ali. Eu e tu. A bomba atómica. Os genocídios. O amor. O aquecimento global. Os meus filhos. O deficiente abandonado que se suicida. A esperança de um mundo melhor. A criança com fome. O cansaço que fica quando a esperança se acaba...
Deus é imaginário

Uma coisa é ter deixado a religião por causa da Biologia, e ter a posição interior de não se querer chatear com esses disparates. Outra é dar-se ao trabalho de escrever um livro online com 39 capítulos de lógica meticulosa desfazendo o mito do Deus que escreveu a Bíblia e responde às orações, como é feito no site Why won't God heal amputees.
O único senão do sítio é estar totalmente focado na realidade evangélica dos Estados Unidos da América, embora ponha no mesmo saco todas as religiões organizadas, presentes ou passadas.
Não aborda, por exemplo, a questão mais profunda de um deus que não tenha esse papel tão interveniente, o deus de Einstein, por exemplo:
Einstein was often asked, "Do you believe in God?", to which he sometimes replied "I believe in Spinoza's God, who reveals himself in the harmony of all being".Mas claro que não é este o deus dos milhões de americanos que acreditam que o universo foi criado há 6.000 anos, nem dos selvagens shiitas ou sequer dos ignorantes de Fátima. E para esses, isto são pérolas...
domingo, novembro 12, 2006
terça-feira, novembro 07, 2006
Outra definição de "vida"
Um dos paradoxos da Biologia, a ciência que tem por objecto o estudo dos seres vivos, é o não ter conseguido produzir uma definição do seu próprio domínio de estudo. Isto pode ser um pouco vexante para um biólogo jovem, que inveja secretamente as certezas da Física ou mesmo da Química.
A Wikipedia é, como de costume, um bom ponto de partida para saber mais sobre este assunto. Lá se encontra uma referência à obra clássica no assunto: o livro do físico Erwin Schrödinger "What is life?"
Hoje encontrei uma resposta de Tonny Bennett e Count Basie a essa mesma questão:
LIFE IS A SONG
Ruth Ettig
(Joe Young/Fred A Ahlert)
Life is a song, let's sing it together.
Let's take our hearts and dip them in rhyme,
Let's learn the words, let's learn the music together,
hoping the song last for a long, long time.
Life is a song that goes on forever.
Love's old refrain can never go wrong.
Let's strike the note Mendelssohn wrote concerning spring weather,
Let's sing together and make life a song.
Para uma visão recente da influência do livro de Schrödinger na Biologia da altura, ver o excelente artigo de Dronamraju.
A Wikipedia é, como de costume, um bom ponto de partida para saber mais sobre este assunto. Lá se encontra uma referência à obra clássica no assunto: o livro do físico Erwin Schrödinger "What is life?"
Hoje encontrei uma resposta de Tonny Bennett e Count Basie a essa mesma questão:
LIFE IS A SONG
Ruth Ettig
(Joe Young/Fred A Ahlert)
Life is a song, let's sing it together.
Let's take our hearts and dip them in rhyme,
Let's learn the words, let's learn the music together,
hoping the song last for a long, long time.
Life is a song that goes on forever.
Love's old refrain can never go wrong.
Let's strike the note Mendelssohn wrote concerning spring weather,
Let's sing together and make life a song.
Para uma visão recente da influência do livro de Schrödinger na Biologia da altura, ver o excelente artigo de Dronamraju.
domingo, novembro 05, 2006
... e ainda por cima é gira!

Acabei de ler o último livro de Celia Farber, "Serious Adverse Events. An uncensored history of AIDS".
Como a própria reconhece numa nota introdutória, muito do que está nestas 340 páginas já foi publicado noutros locais. No entanto a autora re-escreveu todo o material de modo a fazer sentido num contexto de livro, acrescentando um prefácio e dois apêndices muito interessantes. O prefácio dá a nota pessoal que ressoa por toda a obra de Farber: "Does HIV cause AIDS? I don't know if it does or it does not- I'm really eqquiped to know. The story I have tried to tell, and which this book explores, is the story not of my own beliefs about science (I am not a scientist) but of the epic human drama between those who say yes and those who say no to this question." Os apêndices são linhas cronográficas (timelines) muito úteis, sobretudo a última que demonstra como se decretou que a presença de anticorpos contra o HIV equivale à infecção por este vírus, mesmo que este só seja detectável por PCR. Um dos muitos contra-sensos da "ciência" da sida que, tal como os outros, foi imposto por declaração, passando ao lado dos preceitos científicos básicos.
E Farber conta histórias. A de Peter Deusberg, claro, e a de Kary Mullis. Mas também a de Joyce Ann Hafford, que participou num ensaio clínico sobre a eficácia da neviparina na redução da transmissão do HIV de mãe para filho. Joyce Ann morreu devido aos efeitos da medicação que recebeu, tendo a criança nascido de cesariana momentos antes. (Outro conta-senso: a ministração de drogas com efeitos mutagénicos e carcinogénicos comprovados a mulheres grávidas e a recém-nascidos.)
Histórias que se lêem com um aperto no coração. E que dão um contexto dramático à importância da definição correcta de "ciência".
Muitos dos artigos de Celia Farber podem ser lidos aqui. Da entrevista na Bookslut acerca deste livro permito-me citar uma passagem que reflecte exactamente o que eu próprio sinto perante muito do que passa ultimamente por divulgação da ciência:
The nature of journalism is that you are reporting on a deadline and looking for good quotes. It is easy to see how science journalism can turn out like a game of telephone.
It is disembodied from the human, the emotional, the psychic and social context in which someone is speaking to you… It’s so sterile. As I look back on years and years of interviews, I remember the emotion. Of course the data is embodied in the emotions and vice versa -- but when I read straight, respectable, kosher, approved science journalism, I can’t connect to it. I don’t know how the interviewer feels or the interviewee feels. It’s very gee-whiz: “Gee-whiz: scientists have discovered x, y, z.” Or a gene that causes this and causes that… In most cases, what it should say is X scientist, working for X interest, totally governed by X biases said to me on this date that X is true, but all of those are leaps that shouldn’t be taken quite so easily.
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