As leituras (sobretudo na net) são como as cerejas. Entrando pelo
Google Scholar*, então, uma coisa leva a outra e ganha-se em conhecimento o que se perde em horas de sono.
Foi assim que as minhas leituras sobre a senciência em peixes me levaram à cognição animal e desta, entre outros, aos trabalhos de
Irene Pepperberg (
vejam o vídeo) sobre a cognição em... aves.
Trabalhando com
Psittacus erithacus, o comum papagaio cinzento africano, Pepperberg conseguiu trazer à comunidade científica questões importantes relativas à evolução da linguagem e da própria
inteligência. Porque se
os papagaios sabem contar, e duvido que os anfíbios o saibam, essa capacidade evoluiu separadamente nos ramos répteis-aves e mamíferos-primatas. Assim como a linguagem. E portanto não é um dom divino, nem nós o topo da criação... estão a ver a ideia.
De repente passar na Rua Nova nas Lajes do Pico e ouvir aquele papagaio a dizer "Olá!" quando respondemos aos seus assobios tem um outro significado. E fica-se com pena de ele estar ali, empoleirado naquela gaiola minúscula há anos sem fim.
O Alex morreu com 31 anos.
Este vídeo (apesar dos ridículos comentários da apresentadora) ilustra as surpreendentes capacidades deste animal que, de acordo com Irene Peppenberg, teria a capacidade emocional de uma criança de dois anos e intelectual de uma criança de 5. As suas
últimas palavras foram dirigidas à sua treinadora e companheira de décadas: "
You be good. I love you"; ela respondeu "
I love you too" e Alex disse "
You'll be in tomorrow". Irene respondeu "
Yes, I'll be in tomorrow", mas Alex já não a voltou a ver.
*
Uma das muitas e excelentes ferramentas em desenvolvimento nos Google Labs.